O CONARH está chegando e, com ele, uma avalanche de tendências, ideias e discussões que prometem movimentar o RH neste e no próximo ano. Inteligência artificial, saúde mental, People Analytics e liderança devem estar entre os temas que vão dominar os palcos, estandes e conversas durante os três dias de evento.
Mas, em meio a tantas novidades, surge uma pergunta importante: o que realmente merece sair do CONARH e chegar à rotina da sua empresa?
Esse é o objetivo deste guia. Antes da 52ª edição do CONARH abrir suas portas em São Paulo, vale entender o que realmente vai pautar as discussões deste ano e, principalmente, como transformar cada uma dessas tendências em uma ação concreta para o seu RH, sem esperar o evento terminar para começar a agir.
O que é o CONARH e por que ele orienta a agenda do RH brasileiro
O CONARH, Congresso Nacional de Gestão de Pessoas, é promovido pela ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos) e é considerado o maior evento de RH da América Latina. A edição de 2026 é a 52ª e acontece nos dias 18, 19 e 20 de agosto, no São Paulo Expo, sob o tema “Brasil Global: O Futuro da Gestão é Humano”.
A escolha do tema não é acidental. Ela resume a tensão que já domina o debate de RH neste ano: como manter a gestão de pessoas centrada no ser humano em um momento de adoção acelerada de inteligência artificial e de cobrança crescente por resultados mensuráveis. O evento também estreia o conceito de “Cidade do RH”, reunindo conteúdo, tecnologia e geração de negócios em um único ambiente, com mais de 120 palestrantes, mais de 100 palestras e um espaço dedicado exclusivamente à inteligência artificial aplicada à gestão de pessoas.
Para quem não vai participar presencialmente, a programação funciona como um retrato confiável de para onde a área está caminhando: os temas que ganham mais espaço no palco costumam ser os mesmos que os fornecedores de RHTech e as áreas de gestão de pessoas vão priorizar no orçamento dos meses seguintes.
As tendências que vão dominar as discussões do CONARH 2026
Inteligência artificial aplicada à gestão de pessoas
A IA deixou de ser um piloto isolado em recrutamento e passou a aparecer em praticamente todas as etapas da jornada do colaborador: triagem de currículos, análise de feedbacks abertos, previsão de turnover e apoio à tomada de decisão de líderes. A discussão em 2026 é menos sobre se adotar IA e mais sobre como fazer isso sem perder o julgamento humano nas decisões que afetam pessoas, especialmente em avaliação de desempenho e promoção.
Saúde mental e riscos psicossociais como obrigação, não só como boa prática
Com o aumento dos afastamentos por transtornos mentais e as novas exigências regulatórias sobre gestão de riscos psicossociais, o tema deixou de ser apenas discurso de employer branding. Mapear fatores de estresse, sobrecarga e qualidade da liderança passou a ser parte da gestão de risco da empresa, com implicações jurídicas reais para quem ignora o tema.
Liderança humanizada em um ambiente cada vez mais automatizado
Quanto mais tarefas operacionais são absorvidas pela tecnologia, maior a cobrança para que a liderança direta ocupe o espaço que sobra com escuta, clareza e desenvolvimento das pessoas. Empresas que investem em capacitação de liderança para esse novo papel tendem a sair na frente na retenção de talentos.
Como transformar as tendências do CONARH em ação prática no seu RH
Ouvir sobre uma tendência em uma palestra e implementá-la de forma responsável são duas coisas diferentes. Antes de sair replicando o que foi apresentado no evento, vale seguir uma sequência simples:
- Diagnóstico preciso: identifique, com dados internos (eNPS, pesquisa de clima, entrevistas de desligamento), qual das tendências realmente endereça o problema que a sua empresa tem hoje.
- Priorize por impacto e maturidade: nem toda empresa está pronta para People Analytics preditivo se ainda não tem uma base histórica de dados de RH organizada. Comece pelo básico bem-feito.
- Trate saúde mental como item de compliance, não só de bem-estar: mapeie riscos psicossociais formalmente e documente as ações, independentemente do porte da empresa.
- Pilote antes de escalar: teste qualquer nova tecnologia ou processo em um grupo controlado, com critérios de sucesso definidos, antes de expandir para toda a organização.
- Volte com um plano, não só com anotações: defina, para cada tendência priorizada, um responsável, um prazo e uma métrica de acompanhamento.
O maior erro depois de um evento como o CONARH não é escolher a tendência errada. É voltar com uma lista de dez ideias e não executar nenhuma delas até o fim.
O fio condutor por trás de todas as tendências: decisão baseada em dados
Apesar da diversidade de temas, IA, saúde mental e liderança compartilham uma mesma exigência de fundo: dados confiáveis sobre a experiência real do colaborador, não suposições da equipe de RH. Sem uma base estruturada de escuta contínua, como eNPS, pesquisa de clima e mapeamento da jornada, qualquer tendência aplicada corre o risco de virar mais uma iniciativa isolada, sem conexão com o que realmente afeta a retenção e o engajamento.
Se a sua empresa vai ao CONARH 2026 em busca de direção, a pergunta mais útil para levar para as conversas nos estandes e painéis não é “quais ferramentas estão em alta”, mas “quais dessas soluções conseguem me mostrar, com dados, onde a experiência do colaborador está falhando hoje”.
Conclusão: tendência só vira resultado quando vira rotina
O CONARH 2026 deve confirmar o que os relatórios do setor já vêm sinalizando ao longo do ano: inteligência artificial, saúde mental, People Analytics preditivo e liderança humanizada não são mais debates paralelos, mas partes de uma mesma agenda de gestão de pessoas. O diferencial não estará em quem ouviu falar primeiro dessas tendências, mas em quem conseguir transformá-las em ações e resultados concretos.
Porque, no fim, tendência não gera impacto por si só. O que gera impacto é a capacidade de entender o que está acontecendo dentro da organização, identificar onde estão os principais desafios e agir a partir de dados reais sobre a experiência dos colaboradores.
É aí que o RH deixa de apenas acompanhar o que o mercado está fazendo e passa a construir a própria estratégia de pessoas.
O CONARH pode trazer novas ideias, ferramentas e possibilidades. Mas o que acontece depois do evento é o que realmente importa: quais dessas ideias vão fazer parte da rotina da sua empresa?


